Aplicações de video-conferência

Adaptação vs inovação

por Filipe Mendes

Com a maioria das pessoas a trabalhar por casa e as organizações a adaptarem-se a uma forma diferente de trabalhar, as aplicações de videochamadas sofreram uma explosão de utilização.

Todos os dias surgem relatos de situações caricatas, desde participantes a serem ralhados pelos seus familiares durante uma reunião, a participantes na casa-de-banho com a camera ligada, até ao caso de um professor que foi substituído por um aluno como administrador de uma videochamada. Aluno este, que de seguida silenciou todos os seus colegas enquanto repetia em tom de brincadeira, a palavra Fart (peido em Português).

Muitos destes casos ocorrem com utilizadores do Zoom, um software de videochamadas com suporte até 100 participantes em simultâneo na modalidade gratuita e que teve um crescimento de 10 a 200 milhões de participações em três meses.

Contudo, após analisar a página oficial do Zoom, concluímos que foi desenhado para o meio profissional e não para as massas, tirando partido de certos pressupostos na forma como os seus utilizadores fazem uso da aplicação. A título de exemplo, todas as semanas no meu local de trabalho se faz uma videochamada com 950 participantes em simultâneo sem quaisquer distúrbios. Consegue imaginar uma videochamada com 100 crianças sem interrupções?

Mas a rápida disseminação do virus, forçou as sociedades a adaptar-se às ferramentas online existentes. Apesar de estar reticente quanto à continuação do teletrabalho após o levantamento das medidas de confinamento na maioria das empresas, acredito que uma parte considerável decida, pelo menos, adoptar um regime parcial.

O que me leva a crer que chegou o momento de um investimento forte na criação de novas plataformas (ou alternativas às existentes) que facilitem a comunicação em contextos específicos.

Por exemplo, se uma escola de cozinha decidisse tornar o seu negócio puramente online, iria beneficiar de uma plataforma que ajudasse os seus formadores a verificar os pratos dos seus alunos em tempo real. Imagine, um dispositivo móvel com uma grelha de pratos correspondentes a cada um dos alunos em que o chefe poderia seleccionar um dos pratos e sugerir mais ou menos ingredientes.

Mas enquanto essas experiencias não chegam, as aplicações existentes melhoram a sua infraestrutura para não perderem mercado face aos concorrentes. O WhatsApp anunciou que passará a suportar videochamadas até 8 participantes, o Facebook Messenger passará para 12, o Google Meet abrirá ao público e o Skype para a web já nem requer um registo.