Parceria Apple e Google

O bom, o mau e o vilão

por Carlos Mota

Nos últimos meses assistimos a uma onda solidária sem igual. Num mundo fechado em casa, têm surgido inúmeros projetos pessoais e empresariais que têm como principal objectivo - ajudar os outros. Vimos todos os makers do país juntarem-se e começarem a produzir viseiras nas suas impressoras 3D que mais tarde entregaram a todos os que estava na linha da frente; empresas que se reinventaram e passaram a produzir desinfectante, óculos de protecção, etc., campanhas de reutilização de computadores para os alunos que não têm essa disponibilidade, etc.

As aplicações móveis não foram excepção aqui, e nos primeiros dias de pandemia, tanto a Google Play como a Apple Store foram inundadas com várias submissões. Contudo, muitas destas tinham outros motivos escondidos e de forma a evitar que informação falsa fosse facilmente dispersada e que os dados dos utilizadores pudessem ficar em risco ambas as lojas optaram por rejeitar todas as novas aplicações que fossem focadas na pandemia. Sendo a excepção as que fossem publicadas a partir de uma organização pública confiável, como foi o caso do estamos on, pela AMA (Agência para a Modernização Administrativa).

Apesar desta medida ter sido tomada logo no início, uma vez que as aplicações podem ser distribuídas fora das lojas oficiais, não impediu que vários utilizadores vissem os seus dados pessoais roubados e muitos telemóveis ficassem bloqueados por estas aplicações, sendo exigidos resgates para recuperarem o que é seu por direito.

Tanto a Google como a Apple já deram várias provas de como a segurança dos seus utilizadores está a frente de qualquer ordem presidencial (de relembrar que a Apple tem vários pedidos do Governo dos Estados Unidos para ter uma porta no seu Sistema Operativo, que em última instância permitisse desbloquear os seus dispositivos, e sempre recusou dar este acesso). Este ponto é sempre discutível e de certo que há leitores que não vão concordar com esta informação - mas, neste momento, são duas das empresas tecnológicas com maior transparência para os utilizadores que temos e que em menos escândalos estão envolvidas. E a verdade é que já fazemos tudo nos nossos telemóveis, chamadas, mensagens, acesso ao banco, localização, etc. de certa forma já confiamos (cegamente) nelas.

Com o objectivo de encontrar uma solução eficiente e segura, ambas as empresas fizeram uma parceria histórica e juntaram esforços. Estão actualmente a desenvolver uma solução, em ambas as plataformas, que permita notificar os utilizadores quando estiveram em contacto com uma pessoa infectada. Nestas situações depreende-se que a pessoa não teria conhecimento de que seria portadora do vírus, o que a leva a sair de casa e a fazer a sua vida normalmente (em itálico, porque ainda estamos longe da normalidade que conhecíamos). Conhecendo, de forma anónima, com quem interagiu é possível prever potenciais focos e alertar todas essas pessoas quando o diagnóstico for feito. Esta informação, aliando à quarentena voluntária das pessoas quando notificadas, ajudará a que cada vez menos o vírus se transmita, reduzindo cada vez mais a probabilidade de contágio.

Nada disto é obrigatório e a última palavra é sempre do utilizador, que pode optar por não participar no programa.