O regresso da AMD

Devagar se vai ao longe

por Filipe Mendes

Com a necessidade de deixar de depender de um MacBook Pro da empresa para os meus projectos pessoais e pelo facto de nunca transportar o meu MacBook pessoal nas minhas viagens Lisboa-Londres, percebi que estava no momento de montar um novo computador pessoal, potente, mas a uma pequena fração do preço de um Macbook Pro.

Ao aderir às comunidades do reddit, percebi que a AMD estava para lançar uma nova geração de processadores em Outubro, com ganhos até 20% face à geração anterior e com benchmarks 2 vezes superiores ao meu dispositivo profissional que dispõe de um processador Intel i9 de 2019. Estes resultados surpreenderam-me porque por muitos anos que a AMD era considerada como a marca de processadores bons e baratos mas nunca os melhores. Porém, tudo mudou com a entrada de Lisa Su ao comando da empresa.

Lisa Su assumiu responsabilidade num momento em que a AMD atravessava uma grave crise financeira e em 6 anos conseguiu não só recuperar a empresa mas também colocá-la à frente da Intel. Como resultado, os processadores AMD fazem parte de muitos novos super computadores, da nova geração de consolas e inclusive já se encontra em 25% das máquinas de utilizadores da Steam. A AMD afirma também que a sua série 6000 de placas gráficas se encontra equiparada aos modelos de topo da NVIDIA mas a um preço significativamente inferior.

Porém, este ano ficou marcado por uma procura desenfreada por tudo o que é relacionado com computadores, desde microfones, a cameras, processadores e até placas gráficas, o mercado tem tido dificuldade em dar resposta à procura. Prova disso, são os preços exigidos por “scalpers” na última geração de GPUs da NVIDIA, que através de mecanismos automatizados, compraram (e assim controlaram) todo o stock online, revendendo o mesmo stock a um preço muito superior ao recomendado.

Para combater este fenómeno e de forma a aproveitar uma procura que até agora a NVIDIA não tem conseguido preencher, a AMD lançou um guia para todos os revendedores com medidas fortes de prevenção de bots e gestão de stocks por utilizador. Mas mesmo com estas novas medidas, a AMD não conseguiu evitar o fim de stock em todas as lojas online, momentos após o lançamento dos seus novos processadores Ryzen.

O futuro da AMD era risonho e muitos analistas recentemente já davam a Intel como ultrapassada. Mas no passado dia 10 a Apple chocou o mundo com os novos chips M1. E agora?