Android 11 e o futuro

R de Rabanadas

por Carlos Mota

Desde os primeiros lançamentos que tenho tido a esperança de um dia conseguirmos vir a ter uma sobremesa Portuguesa como versão de Android. E tivemos aqui tão boas oportunidades desde Noz Moscada, Ovos Moles, Pastel de Nata, Queijadinha e este ano seria Rabanadas.

Renomeado para Android 11 e estando o seu lançamento previsto para o terceiro trimestre deste ano, utilizando aqui uma frase popularizada pela concorrente Apple - este vai ser o melhor e mais avançado Android alguma vez criado.

O foco desta versão continua a ser o mesmo das anteriores: melhorar a segurança e a privacidade dos utilizadores. E com este objetivo uma das funcionalidades que gerou bastante polémica no seu predecessor passa agora a ser obrigatória - “scoped storage”.

Quantos de nós…

Se juntarmos a estes problemas, o facto do utilizador dar permissão de acesso aos ficheiros em disco a uma aplicação e esta passar a ter acesso a praticamente tudo, percebemos o porquê da equipa de Android querer que esta funcionalidade seja lançada o mais cedo possível. E claro, do lado de quem desenvolve, querer atrasar, uma vez que o impacto que tem nas suas aplicações pode levar a que todo o sistema de gestão e acesso a ficheiros tenha de ser refeito.

Ainda no campo de privacidade, temos mais alguns comportamentos que vão ficar já disponíveis no Android 11. A começar no sistema de permissões, neste momento vamos ter o conceito de acesso temporário, onde, ao ser escolhido a aplicação apenas terá acesso à funcionalidade pedida durante a sua próxima utilização. Quando o utilizador a minimizar a permissão é removida automaticamente e terá de ser novamente pedida. Existem mais duas alterações relevantes nesta versão: primeiro, se uma aplicação não for utilizada durante alguns meses, todas as permissões que foram dadas são ser removidas após algum tempo; segundo, para evitar uma contínua insistência por uma permissão do lado das aplicações, se esta for negada duas vezes seguidas o Android não vai permitir que esta seja pedida uma terceira vez.

Mas os desenvolvimentos não ficam por aqui! Uma vez mais o sistema de notificações sofreu alterações passando a existir uma secção específica para conversas onde o utilizador tem a possibilidade de atribuir diferentes prioridades e alertas consoante de quem forem as mensagens; o sistema de “bubbles” muito popularizado pelo Facebook Messenger passa a estar disponível para todas as aplicações de conversação.

Para além destas, podemos contar ainda com outros desenvolvimentos:

Carlos Mota Texto escrito a partir do meu Pixel com Android 11

Futuro até quando?

por Filipe Mendes

Vou ser honesto, se me perguntar as novidades da próxima versão do Android não lhe consigo dizer.

O meu desinteresse pela plataforma tem crescido nos últimos anos depois de ver a comunidade mais focada na criação de uma arquitectura, ou de um padrão de desenho, que cubra todos os casos possíveis de uma aplicação móvel do que na experiência de utilização ou em novas formas de interacção.

Esta situação é, paralelamente, acompanhada por uma estagnação das próprias plataformas móveis cuja maturação ao longo dos anos permitiu identificar quais os hábitos mais comuns dos utilizadores e quais as experiências que mais fazem sentido em dispositivos móveis.

Ao mesmo tempo, muitas empresas chegam à conclusão de que é financeiramente mais exigente desenvolver aplicações nativas dedicadas, quando o objectivo é disponibilizar o mesmo conjunto de funcionalidades num máximo de plataformas possível. Mesmo em empresas com muito investimento, as equipas de desenvolvimento vão sempre, e compreensivelmente, prioritizar funcionalidades passíveis de ser implementadas em ambas as plataformas, em vez de tirar partido das características especificas de cada um dos sistemas operativos.

Esta realidade, bem como a constante dessincronização do desenvolvimento, força as empresas a equacionar alternativas multi-plataforma, que apesar de não serem um conceito novo, têm vindo a ganhar cada vez mais força nos últimos tempos. Curiosamente, várias vozes nas comunidades de desenvolvimento (desde Rui Peres a Luis G. Valle) começam a equacionar, e até a apelar, à sua utilização.

Se excluirmos a manutenção e a dificuldade de recrutamento, um dos argumentos mais fortes contra esta adopção é, e justamente, a perda de qualidade na experiência de utilização. Porém, eu pergunto. Será que os utilizadores irão notar, ou até desinstalar uma aplicação, se esta for a única que oferece certa funcionalidade ou conteúdo em relação aos concorrentes, mesmo que a sua experiência seja ligeiramente inferior? Na minha opinião não.

O Android 11 é o futuro do sistema operativo Android para os utilizadores, mas as suas novidades são praticamente irrelevantes para as empresas. Em contra-partida, as soluções multi-plataforma ganham cada vez mais espaço dentro das comunidades de desenvolvimento e tornar-se-ão cada vez mais relevantes nos próximos anos da indústria.